quarta-feira, 25 de março de 2020

{ da cura }


Este poema foi escrito por Kathleen O Meara  em 1839. 

*


CURAR

E as pessoas ficaram em casa.

E leram livros e ouviram música
E descansaram e fizeram exercícios
E fizeram arte e jogaram
E aprenderam novas maneiras de ser
E pararam
E ouviram mais fundo
Alguém meditou
Alguém rezava
Alguém dançava
Alguém conheceu a sua própria sombra
E as pessoas começaram a pensar de forma diferente.
E as pessoas curaram.

E na ausência de gente que vivia
De maneiras ignorantes
Perigosos, perigosos.
Sem sentido e sem coração,
Até a terra começou a curar
E quando o perigo acabou
E as pessoas se encontraram
Eles ficaram tristes pelos mortos.
E fizeram novas escolhas
E sonharam com novas visões
E criaram novas maneiras de viver
E curaram completamente a terra
Assim como eles estavam curados.


(Kathleen O ' Meara)

*


12 comentários:

  1. Lindo e tomara chegue esse dia em que essas curas veremos! bjs, chica

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  2. Boa noite de paz e saúde, querida amiga Fê!
    Vamos firmes sonhando com este dia que logo chegará: novos céus e nova Terra.
    Sem sentido e sem coração, antes vivíamos e, agora, vamos ter noção e sentido de tudo. Valorizaremos muito mais tudo e todos.
    Que poema bem escolhido para postar e nos encher de ânimo e generosidade par tudo o que enfrentamos, amiga!
    Tenha dias abençoados e longe do vírus cruel!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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  3. Querida Fê, que bela partilha que nos faz crer e esperar.
    Um poema atual tão vivo que faz arrepiar.
    Com todos os cuidados vamos com fé.
    Beijo amiga.

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  4. O que a terá levado a escrevê-lo? E parece tão actual.
    um beijinho

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  5. Um poema premonitório, já que não me recordo de nada semelhante no século XIX. A gripe Espanhola foi no século XX e a peste negra no séc. XIV.
    Parece que retrata o momento atual. Não conhecia a poetisa. Obrigado pela partilha
    Abraço e saúde

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  6. Tantos anos passaram e há muito boa gente qua ainda não aprendeu essa lição.
    Bjs

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  7. Excelente o escrito de Kathleen O'Meara.
    Beijinho, Fernanda.

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  8. Parece ter sido escrito para os dias que correm.
    Que todos aprendam a ficar em casa.
    Que todos saibam viver comedidamente, sem causar estragos à Humanidade e à Natureza.
    Talvez assim a Terra se cure e haja cura para os males actuais.

    Um beijinho grande, Amiga Fê.
    Foi tão bom teres vindo visitar-nos com este belo poema.
    Que lição!

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  9. Esse poema reflecte muito bem os dias que estamos passando. Adorei ler! Obrigada Fernanda! Tudo de bom para si.

    -
    Beijo. Uma tarde feliz
    Proteja-se...

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  10. Nós somos descendentes
    desses sobreviventes

    Disse O ' Meara
    «E quando o perigo acabou
    E as pessoas se encontraram
    Eles ficaram tristes pelos mortos.»

    Quando o perigo acabar
    muitos não se vão reencontrar

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  11. Segundo a Wikipédia, houve uma Pandemia de cólera entre 1846 e 1860. Provavelmente este poema terá sido escrito num desses anos.
    Abraço e saúde

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o melhor lugar para tocar alguém será sempre o coração.

obrigada por estarem desse lado.