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quinta-feira, 6 de abril de 2017

{ das sexygenárias }

* Hoje entrei no grupo das sexygenárias" 😉


Aos 20 anos imaginava-me a chegar aos 60 como uma velhinha simpática rodeada de netos. Felizmente não sou tão velhinha assim, mas infelizmente não tenho netos.
Não vou dizer que estou óptima para a minha idade, pois embora tenha dias em que me sinto mais nova, tenho outros que teimam em me lembrar a idade.

Um beijinho grato a todos que  através de mails, telefonemas e comentários estão a alegrar este meu dia.

* foto tirada na Nazaré no mês passado.
 
FM


Canção na plenitude

Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

Lya Luft


*