todos os dias toma o pequeno-almoço num pequeno estabelecimento perto
de sua casa
o ambiente quente do pão a cozer, o cheiro do café e o odor adocicado
dos bolos faz
com que não abdique deste pequeno luxo
sentia frio, um frio vindo de dentro, intenso, que não a largava e a consumia
olhou para o relógio, mais por hábito do que por necessidade
afinal não tinha ninguém, nem nenhum trabalho à sua espera
lá fora, o som de gargalhadas, recordou-lhe outros dias, mais felizes
sentou-se a beber o café fumegante com o olhar vagueando...
um pardalito foi entrando devarinho, estacando em cima do tapete largo da entrada
saltitando como todos os pardais, foi debicando migalhas esquecidas, perdidas
caídas dos embrulhos de papel que envolvem o pão
não soube se foi por causa do pequeno pardal ou da cafeína que tinha ingerido
mas um súbito e reconfortante calor percorreu-lhe o corpo
o pássaro indiferente continuou debicando
e no seu rosto, voou um sorriso
.
FM
imagem- pinterest
